segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Fecha a porta e sai de uma vez. Há quem queira fechar os olhos e dormir. Larga-me já é tarde, e o tom da nossa pele já não combina. Não me tentes levar como se tivesses o poder. É  verdade que sim, já foi teu, já pertenceu a ti, não mais. Vêm e vão, sentimentos como brisas à tardinha quando o sol se pôe.
 Não grites. 
O tom da nossa pele já não combina e eu não posso mudar algo tão genuino. Concorda comigo, já nada encaixa. A pele das minhas mãos, já não procura as tuas. Os teus braços já não me encontram. Os meus pés não querem caminhar até ti. E tu, tu já não os fazes caminhar. Lamento, a pele já não obedece. 
A perfeição daquela maneira tão, secalhar imperfeita, que havia outrora, foi-se. como vão muitas outras coisas. O dia está a terminar, não te atrases, não prolongas esta despedida que é inevitavel. Avanças um passo, finalmente. Sinto os batimentos do meu coração, fortes, rápidos. 
Um outro passo de costas voltadas, os meus olhos enxem-se de lágrimas. Mais um e outro e ultrapassas a barreira da minha vida e desta casa que já foi a nossa. Já não há nada a fazer. 
Eu queria dizer muitas coisas agora, todas aquelas palavras bonitas que se dizem nas despedidas. Da minha boca nada consegui dizer, e tu fechas a porta. Tarde demais. Volto-me. Corro até à janela, abres a porta do carro, pegas na mala e entras a toda a pressa.
 Eu olho, tu sorris e te vais, desapareces.

Pego no cobertor, enterro-me no sofá e ali fico, as despedidas são sempre dificeis não é ?!

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