quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

uma ideia de amor.

Você nunca amou. Você não ama se não aprende a admirar aquela pessoa tal e qual como ela é, sem tentar a todo momento mudá-la.
Não se engane, isso não é amor, isso é mais uma vez a ãncia do ser humano tentando transformar tudo à sua maneira.
O amor não exige qualquer tipo de sacrifício, de acto, o amor é genuíno, o resto? Todo o resto que existe de complicado e egoísta, é por nós incorporado. 
Ame! Mas não pense que ama alguém, se o que você ama na realidade, é apenas a ideia de amor.
Não se engane, amor, não é isso, é muito mais que isso.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

O bronzeado pode até já ter ido embora mas as lembranças, essas são definitivas.
Fecha a porta e sai de uma vez. Há quem queira fechar os olhos e dormir. Larga-me já é tarde, e o tom da nossa pele já não combina. Não me tentes levar como se tivesses o poder. É  verdade que sim, já foi teu, já pertenceu a ti, não mais. Vêm e vão, sentimentos como brisas à tardinha quando o sol se pôe.
 Não grites. 
O tom da nossa pele já não combina e eu não posso mudar algo tão genuino. Concorda comigo, já nada encaixa. A pele das minhas mãos, já não procura as tuas. Os teus braços já não me encontram. Os meus pés não querem caminhar até ti. E tu, tu já não os fazes caminhar. Lamento, a pele já não obedece. 
A perfeição daquela maneira tão, secalhar imperfeita, que havia outrora, foi-se. como vão muitas outras coisas. O dia está a terminar, não te atrases, não prolongas esta despedida que é inevitavel. Avanças um passo, finalmente. Sinto os batimentos do meu coração, fortes, rápidos. 
Um outro passo de costas voltadas, os meus olhos enxem-se de lágrimas. Mais um e outro e ultrapassas a barreira da minha vida e desta casa que já foi a nossa. Já não há nada a fazer. 
Eu queria dizer muitas coisas agora, todas aquelas palavras bonitas que se dizem nas despedidas. Da minha boca nada consegui dizer, e tu fechas a porta. Tarde demais. Volto-me. Corro até à janela, abres a porta do carro, pegas na mala e entras a toda a pressa.
 Eu olho, tu sorris e te vais, desapareces.

Pego no cobertor, enterro-me no sofá e ali fico, as despedidas são sempre dificeis não é ?!

sábado, 2 de fevereiro de 2013

saboreio cada pedaço, cada colherada como se fosse a vida.
como se estivesse à minha frente e eu a querer alcança-la mais do que toda a gente, e menos do que alguém a quem os anos estao sendo contados.
uma e outra colher da vida, e olho em volta e ninguém luta por agarrá-la.
esta carinha de boneca, máscara de mulher, perfil misteriosa, com pintura de barro, cubrindo todas as nódoas e imperfeições da vida, lápis tornando os olhos cada vez mais intensos e mais maduros, um molde que transforma estes lábios mais notáveis, mais fortes de dizer o que seja o que for, a sombra colocada só para fazer parecer mais mulher, e as mãos já conhecem de côr, cada marca deste pequeno rosto de porcelana.
chove e eu tenho da sair, as colheres estao acabando, uma e outra e o gelado da vida esgota-se, como tudo aliás, vai-se esvaindo, vai-nos sendo arrancado das mãos.
esta na hora, na hora de ir e sentir. levanto-me calmamente, nem um olhar para quem quer que seja, cabeça erguida, agarro o puxador com toda a força e empurro.
dou um passo com este salto alto que me mata a cada caminhada e saio.
posso apostar que sinto cada lágrima do mundo. cada som ao cair no meu corpo, vai burrando toda a pintura, vai mandando embora a mulher que mostro ao mundo e fica apenas a menina que nunca tem chance de viver.
os cabelos vao deixando a forma solene e sombria e colam nas minhas costas, agora mergulhadas nesta tempestade.
fecho os olhos, largo o casaco e ouço-o cair, descalço os meus pés sufocados naquele molde, sinto o chão, quente e a água quase gelada.
na minha cabeça vejo toda a minha vida que passa, abro de novo os olhos e vejo a vida dos outros a passar.
passem tenho pressa, e vou - me afastando daquela rua e vou deixando todo o passado agora molhado em lágrimas de saudade.

primeiro-dia

2 Fevereiro 13, Porto, Viviana silva, e seu blog.